terça-feira, 18 de maio de 2010

TV e fuso horário



Uma matéria do Daniel Castro na Folha de 13/02/2007 diz que as novas regras de classificação indicativa da programação de TV foram publicadas ontem no Diário Oficial da União.

Há muita discussão a respeito dessa nova portaria: alguns acreditam que se trata de censura, outros não. Mas, hoje, quero comentar apenas um detalhe dessa questão: a que trata da obrigatoriedade do respeito aos fusos horários do país.

Acreditem: as TVs são contra essa medida. Por quê? Ora, porque, para as emissoras, isso dá muito trabalho, gasto e, provavelmente, prejuízo. Para entender melhor a situação, vamos a um exemplo: uma afiliada de qualquer uma das emissoras que está localizada num estado que não segue o mesmo fuso de Brasília precisará gravar a programação para exibi-la depois, no horário local adequado. Mas que coisa, não?

Atualmente, o horário que vale para a exibição da programação é o de Brasília. Assim - como exemplifica Daniel Castro na matéria citada - a Globo exibe, no Acre, a novela das oito às 18h locais no período em que vigora o horário de verão. Não é um absurdo essa discussão? O horário considerado livre vai até 20h o que, vamos reconhecer, é bem sensato. Qualquer criança está acordada e assiste à programação nesse horário. Pois sem o respeito ao fuso, a criançada de alguns estados fica totalmente exposta à programação considerada inadequada para o horário em pleno final da tarde! E o que determina que um programa seja livre ou impróprio para menores de 12, 14, 16 anos? O grau de sexo e violência apresentados, claro.

Essa posição das emissoras de TV me causa enjôo por serem hipócritas. Em nome da luta pela “proteção da criança” e da sociedade exploram a discussão a respeito da maioridade penal quando ocorre um crime bárbaro - como o que matou um garoto de seis anos em que estaria envolvido um adolescente - e, ao mesmo tempo, não querem proteger as crianças de alguns estados de uma programação inadequada para elas. Algumas contradições são insuportáveis, não são?

Escrito por Rosely Sayão em 13/02/2007

Texto sugerido por Maria de Nazareth (docente do Ritter dos Reis)

1 comentário:

  1. Os temas ética e valores deveriam compor as discussões diárias na sala de aula possibilitando aos alunos desenvolverem a capacidade crítica.

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